Sexta-feira, Abril 10, 2009


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~ Enviado por Marília Alves


Terça-feira, Março 31, 2009


- Todo carnaval tem seu fim

"Em algum ponto deve estar havendo um erro: é que ao escrever, por mais que me expresse, tenho a sensação de nunca na verdade ter-me expressado. A tal ponto isso me desola que me parece, agora, ter passado a me concentrar mais em querer me expressar do que na expressão ela mesma. Sei que é uma mania muito passageira. Mas, de qualquer forma, tentarei o seguinte: uma espécie de silêncio. Mesmo continuando a escrever, usarei o silêncio. E, se houver o que se chama de expressão, que se exale do que sou. Não vai mais ser: "Eu me exprimo, logo sou". Será: "Eu sou, logo sou"."

Dizem que tudo na vida é passageiro e há muito nisso que eu concorde, exceto quando se trata dos bons sentimentos e das boas pessoas. Há momentos e pessoas que sobrevivem ao tempo e, pelo menos pra mim, é o que faz valer a vida e todo o esforço em amanhecer, diariamente, com o sol – por menos visível que ele se torne, dependendo da estação do ano ou da quantidade de poluição – e anoitecer com a lua, ela estando visível ou não. A propósito, aqui em Brasília, tem tido lua durante a tarde – acho essa uma das artimanhas mais doces da natureza. Estou dizendo isso aqui porque tem sido raro eu ver a tarde passar em tons de azul ou de cinza, com ventos, calor abafado ou tempestade, e ontem eu pude fazê-lo, numa SOLidão sem dor, deitada na sombra da copa de uma árvore. Os pássaros – pardais e bem-te-vis –, os patos e os insetos, dividindo comigo o espaço, foi o que me moveu a vir aqui e escrever este texto, que já começou prevendo um ponto final meio dolorido de se dar.

A parte disso que reflete é a de que este blogue chega ao fim, e escrever isso aqui vai me doendo uma dorzinha fria e aguda. Estou trabalhando em novos projetos, que não envolvem blogues e uns que nem mesmo envolvem palavras. Eu tinha pensado em migrar daqui para o blogspot, que dizem ser um dos melhores gratuitos que se tem a disposição, conservando o mesmo nome e a mesma menina-flor de imagem. Mas acho que não quero mais conservar. E nem sei se quero mudar, também. Agora é a hora do nada. Meu tempo é coisa relativa demais, vai ver amanhã eu já esteja por aqui, de novo, toda serelepe, divulgando novo endereço e revelando ou repetindo cores e intensidades. Mas é que, por hoje, eu não quero mais.

Não precisa ser um adeus. Meu e-mail está ali, oh, do seu lado direito da tela e também aqui, nesta linha, em forma de link. Se o medo do abandono também te espanta, é só compartilhar. Não estou me fechando, me encubando, só estou dando preferência aos escritos dedicados, àqueles que ressoam e fazem dos sentimentos vias de mão dupla. Tenho tido necessidade desse calor mais perto, dessa ternura mais clara e menos covarde. Cansei do calor que não aquece, cansei das coisas pelas metades. Na verdade, o que tenho preferido, mesmo, são as cartas escritas em papel, à mão, são os abraços que misturam as texturas das peles, estreitando o quanto possível a distância entres as duas, o encontro que não é desencontrado. Quero conhecer intenções, mergulhar fundo em pessoas dispostas a mergulhar também fundo e de mãos dadas, sem que para isso uma delas tenha de se ocultar ou mentir o nome. Quero a ordem direta! E menos pretérito, por favor, pelo amor.

Obrigada por tudo, queridos, por todas as palavras e sentimentos aqui manifestados, pelos encontros que este espaço me rendeu, e mesmo pelos desencontros que acabaram por acontecer depois, pois, mesmo estes últimos, fizeram valer o vício de tagarelar com os dedos e deram razão em comportar um coração batucador e derretido no interior do corpo físico. Obrigada pela reciprocidade e pelo calor dos abraços (d)escritos. E, sobretudo, obrigada por serem pessoas de almas tão bonitinhas e encantadas. Por muitas vezes, encontrei nos comentários de vocês, registrados aqui ou ditos de forma mais direta, aconchegos e afagos, quase como abraços de proteção. Muitas dessas palavras vieram em momentos que rondavam fatos pessoais isolados, que me deixavam inha e quase transparente, de tão apagada, e daí vocês vinham e me devolviam o nome inteiro, sem diminutivo e sem que fosse preciso passar o mouse por cima para lê-lo. Por vezes, as palavras de vocês foram as únicas que me valeram e me fizeram pôr alma no corpo, mais precisamente nos dedos e nos olhos. O carinho foi e é recíproco, caso tenha ficado alguém sem saber disso, viu?

Novamente e mais uma vez, obrigada!

~ Enviado por Marília Alves