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Quinta-feira, Maio 19, 2005
É como ler aquelas letrinhas miudinhas do roda-pé de um livro, é preciso lupa para enxergar, mas no caso, não é apenas um livro e sim uma enciclopédia inteira, a começar da capa. Debruço-me em graves soluços sob meus pacotes transparentes de saudade, com seus laços fracos e mal-laçados de cores berrantes, bruscamente visíveis e prejudiciais aos olhos. A solução parece se despir a minha frente, e mais uma vez me recuso enxergar. É necessário embriagar-me de sonhos entorpecentes, inebriar-me dos sólidos indigeríveis, sofrer curtas amnésias e esquecer por milésimos de segundo que seja a tamanha dor que causa a ressaca da volta a monótona e mórbida rotina. Lendo repetidas vezes, a enciclopédia da minha vida pareceu-me que as letras se dilatavam, deu-me a sensação de estar bem próxima a desvendar meus mistérios e descobrir significados para esse turbilhão de sentimentos, porém não demorou muito para perceber que todo esse esforço foi esvaído pelo ralo. Havia apenas palavras sem sombras de possíveis significados. Já não quero acordar e me deparar com esse enorme eco, já não quero esperar por algo que eu sei que não vem, não quero mais dormir sem planos para sonhar, já não quero viver em função de achar. Não quero mais lembrar do que eu preciso esquecer, não quero mais ver minha vida passando diante meus olhos e não poder deter, não quero me sentir como me sinto agora. Simplesmente não quero que escrevam por mim a vida que eu criei e não quero que metam palavras onde eu não disse e nem que me enterrem primeiro para depois matar. ::por Marília Alves | 21:57
Domingo, Maio 08, 2005 ::por Marília Alves | 19:06
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