Terça-feira, Junho 21, 2005

::Felicidade com prazo de validade

Eis aqui uma nova invenção, eis aqui um novo remédio para quem vive de momentos, eis aqui a mais nova porta de entrada ao abismo sem volta.
É o preço que se paga por se afogar em fel travestido do mais puro mel, é a dor que arde sem lugar determinado, é o coração que sangra e afoga as palavras, são os nós na garganta que me impedem de gritar por sua volta.
Pensei que fosse apenas um ponto final, um outro parágrafo, mas não, foi apenas a reticência, uma pausa.
História sem fim. História essa que ainda cabe parênteses, explicações no rodapé...
Empilhadas com as antigas cartas, estão ali minha a vida, o início dos meus momentos de alegria e de minha morte gradativa.
São as linhas tortas que me impedem de olhar para frente, é o horizonte que parece inalcançável. Sou eu, eu que não sei lidar com isso, eu que não me acostumo nunca a dividir espaço com esse monte de vazio, eu que não entendo o paraíso, eu que morro antes de chegar ao precipício. São minhas angústias indescritíveis, minha alma que é carne crua, minha sensibilidade imperceptível, minha dor sem espaço de ser, são devaneios indigeridos, é a força da fraqueza.
Desejos que não têm culpa de ser, sentimento que não se permite morrer...
Caio enfim, estasiada, sem expressão, apenas lágrimas...
Para esse novo invento, que venha um outro ainda mais novo e duradouro, sem prazo de validade ou limite de quantidade, cujo nome é o que sei: Felicidade eterna.

::por Marília Alves | 20:03

Quarta-feira, Junho 15, 2005

Que seja tudo ou quase nada, que seja meia-verdade ou completa mentira, que seja meus erros ou acertos, que seja minhas dúvidas e incertezas, mas que seja. Que não viva soterrado, preso e amargurado, que não se sinta acuado ou desalmado, que se mostre nu e cru, como de fato o sinto. Que deixe marcas, mágoas e passado, que deixe pegadas, pedaços e histórias, prefiro até que fique a eternidade, mas que se revele. Seja sentimento, loucura, insanidade ou desejo tolo, mas que decida-se entre viver de fato e desfalecer-se realmente, sem volta.

Sem sonhos a mais, do último acordei chorando ao cair da cama.

::por Marília Alves | 22:16