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[Segunda-feira, Outubro 10, 2005]
::Flores e Farpas
E é a falta que inunda tudo aqui dentro e ocupa um volume que ultrapassa o do corpo, que se faz tão concreta e ao mesmo tempo tão abstrata. Ligeiramente tocável e rapidamente permanente. Vai adormecendo o corpo, despertando o desejo, amolecendo o coração, irrigando a alma.
É uma tempestade de flores e farpas, é festejo de almas que se unem separadas, é um mergulho tépido por canais estreitos do vasto de minh'alma... é sentimento antigo em forma de quebra-cabeças, inacabado, reiniciado.
E são os olhos que procuram fechados pelo que não se é explicado, alagam os gritos silenciosos no escuro do meu quarto, trancam segredos levemente insinuados, umedecem a face de feição calma e voracidade camuflada.
E é o labirinto de significados, a saudade de saudades, a vontade de vontades, a sensação de sensações passadas, os desejos indesejáveis pela censura, o sentimento recalcado e a estupidez do instinto sensitivo e primitivo, irrebatível, acalentado.
É como brigar com o espelho, pisar descalça nos cacos do passado, desatar os nós dos finos laços... e seguir sozinha, traçando caminhos estreitos, chutando pedras, movendo moinhos, errando caminhos... e voltando aos teus braços sempre que a tempestade estende-se a varar noites, erodindo o caminho, embaçando o destino e me revelando criança fora do ninho.
::por Teeny Fairy | 23:20
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