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Terça-feira, Março 07, 2006
- Rir pra não gritar - Emudeço meu grito com um sorriso mal estampado, canto minhas mágoas, caio, levanto, e caio de novo. O que acontece com minhas pernas? Ora de tão firmes fixam-se ao chão, ora de tão fracas e bambas, rendem-se a ele como quem desiste da batalha no meio da guerra. As faces entre as mãos que as esfolam ao tentar arrancá-las dali, soluços trincados e secos, como o solo maltratado do sol... Ausência de água e sal. Reafirmar-me-ei de que tudo passará antes que eu me atente por quanto tempo esperei, e que logo as névoas serão chuva passageira e calmaria (peripécia e alvor), que logo virão as lágrimas; repousar do cansaço de puxar e arrastar as horas que me apressam o passo e imediata a falseta quimera. Ah! Eis que aí, então, mais cedo que tarde, terá toda a dor se escoado, corrido rios longe d'onde ganhou quem a temporariamente abrigasse. Fingir que não a vejo e deixar que ela esqueça que me viu. Cada um e cada qual a seu tempo e o dela ainda não chegou. Para mim seu passo é pequeno e tardio, talvez, pra você é largo e pontual. Sem cor e forma e ainda perceptível e denso. ~ Marília Alves | 22:05
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