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Quarta-feira, Julho 05, 2006
Passo a contestar-me então o que seria lucidez. Se de tantos, tontos e tolos sonhos arrisquei encharcar-me de ilusões escaldantes em tanques de purpurinas e cintilantes. Eram-me de todo tão reais que me recusei acordar. Recuso-me a enxergar o que todos vêem. Não por serem tolos, mas por serem rasos. Rasos e largos, como imenso tanque metade cheio ou metade vazio, como lhe vestir melhor o absoluto incompleto. Largos que se enxergam grandes. Grandes, porém rasos. Largos e grandes, porem rasos. Não que sejam por completo rasos, mas a metade. E o que fazer da outra metade que lhe resta? Sê-la ela preenchida de vazio ou habitada de ar? O vazio é sempre vazio. O ar é vento. E o vento arrasta, circula, faz voar... Borboletas voam, mas antes rastejam. Quem vive, aprende. Quem morre em vida, apenas sofre. Opto por adormecer em silêncio e me encher de verdades que eu mesma crio e chamo de sonhos. Para mim lucidez é embriagues mental e não o que chamam de real. ::por Marília Alves | 20:05
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