Domingo, Setembro 03, 2006

Desnudo, vai-se arrastado... É de beleza incontestável, mas está do avesso. Assusta!, a quem o vê e a quem o sente.
Vai-se acorrentado e acorrentando. Correntes por todo o corpo em nós feito cordas; correntes no chão, no céu, água e ar; correntes de pólvora.
Em passos alternados e mancos, caminha devagar, afinal, se alguém o espera, que aprenda a esperar.
Tem medo de gente, tem medo de si, do que sentem.

Desdém ao relógio, ao passo, às pernas tortas, à tua carne quente e exposta.
Não se alimenta de gente, não se enriquece de silêncio, apenas se multiplica, sendo tudo e nada, ao mesmo tempo.
É pouco, quase nada, cheio e pela metade; é alegre e contente, mas não é gente; é cru, nu e sumo; e é indigente. Capaz de gerar, multiplicar, mas é inane; vive em gente, mas à gente não pertence.
Sabe-se que veio, que vai e que volta.

Vazio.

::por Marília Alves | 22:46