Domingo, Outubro 29, 2006

Se durante minha existência até aqui aprendi algo, foi nunca desistir; se tenho ao que lastimar até então, é somente o amontoado de perdas que guardei, que somei, mastiguei e esqueci de cuspir.
E aos poucos o pouco se tornou incabível em mim, insuportável! E o seio reclamava como quem pedia tempo e espaço. Entornava-lhe facas e fitas adesivas. Só queria que calasse, que não dilatasse, apenas e somente isso. Afinal, se o que dizem é verdade, eu não me deveria queixar dores do que meus olhos não viam. Dar ouvidos a ditados populares é agarrar-me ao mundo que recuso, que repulso e que não me basta, então cuspo. - não mais me cabe, dizia eu - Ditados desse mundo não me irrigam a alma. E deveria?

Se três pedidos me concedessem, desejaria uma xícara de doce e forte café, confortável poltrona e visão panorâmica do mundo. Sei que o rejeito, mas tenho por ele, acima de tudo, imensa curiosidade. Oras, sou humana!

Viver é quase um vício e recusá-la tem como principal sintoma irrefutável crise de abstinência, e o mergulho nela é de incontável porção de tédio diário, vezes substituído por frações de felicidade. Felicidade esta que faço questão de engarrafar e estocar, porque quando a tristeza me procura tenho com o que me distrair e distraí-la. Ela logo se cansa e me deixa só, com o meu cansaço.

Às vezes até parece que a idade chegou! Por que tão cedo?
Vai ver que se rendeu a precocidade dos tempos.

::por Marília Alves | 01:41