Terça-feira, Novembro 27, 2007

Eu não espero. Esperar leva as pessoas ao tédio. Tédio este que já é meu amigo íntimo: dorme comigo, come comigo, esfrega-me as costas durante o banho...

Eu não espero pela cura das dores para ser feliz, não espero pelo sol para contemplar o dia. Eu não espero.

Fiz da Vida a única amiga de quem posso segurar as mãos, abraçar durante o sono, chorar no ombro quando o medo aparecer. Sei que dela só tenho do que ofereço. Tem sempre uma hora em que todos se vão e só ela fica. Ame-a ou deixe-a, mas saiba que ela é única a merecer o teu pesar.

Eu não espero mais.

~ por Marília Alves às 21:18 |


Segunda-feira, Novembro 12, 2007

- Doe-se, doa a quem doer

"Cem mil poetas, todos eles sós."

Tenho a fala mansa. Levo o coração inquieto. Levo, relevo. Revelo: sou só agora um nó feito os de corda. Tão só, como os poetas sós. Só. Somente só.

Ser feliz, eu digo. Fazer feliz, eu faço. Ser e fazer eu não consigo. Renascer, eu renasço. Chover, eu chovo. E o tempo chove, e a água escorre, e as ruas inundam. E, aqui do alto, eu enxergo os reflexos do vazio – algumas árvores caídas, alguns amores partidos e umas flores gotejando água suja.

O meu coração se lança do sétimo andar, cai inteiro ao chão. Mal consigo acreditar. Lá embaixo: guarda-chuvas coloridos de par em par; um cachorro, que se esconde embaixo d'um caminhão e um homem faminto, que se farta com o meu objeto de amar.

"Doe-se. É disso que você precisa: de doar-se. Dê o coração a alguém e tenha paz". Se era disso que eu carecia, já não é mais. Matei a fome de um rapaz, que agora tem dentro dele dois corações – o meu misturado ao suco gástrico e o dele, feliz outra vez. Hoje aquele homem não morre mais, ajudei-o com a fome e São Pedro com a sede. E agora, eu bendigo: a paz. Pela lei da caridade, pela dor de não ter no peito mais que ar e restos de amor.

A paz sem dor, por favor! Pelo amor.

~ por Marília Alves às 20:53 |