Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008
- Lixeira on-line
(Um texto que não merece ser lido)
A desorganização é o primeiro passo para a organização absoluta. E eu me localizo em pleno furacão. Voam sentimentos e coisas por todos os lados, arrastam o meu poder de direção e todo o meu bom-senso. Tenho feito tudo o que nunca fiz, vivido tudo o que não me permiti nos últimos cem anos viver – rasgando todo o recalque que vesti em mim. Parece ousadia com pitadas de loucura, pois que até desafiar o ridículo do clichê eu já fiz, mas a verdade é que é chato. É insuportavelmente chata toda essa fuga, toda essa tentativa de não ser, de não sentir. Um esforço em viver que mais parece uma não-vida.
...Pausa para um longo suspiro, na tentativa de alguma conclusão...
É, é isso. Os olhos marejam e nada de solução. Saio com um suspiro – um dos mais longos, diga-se de passagem – numa busca esperançosa atrás de alguma conclusão e, no meio do caminho, acabo em busca de solução. Porque aqui eu não vejo portas nem janelas, apenas paredes brancas em todos os quatro lados. E na minha vida, as placas não existem, e nem algum tipo de indicação; é só o alvo sem seta, só a metade, o oco. Vivo de me ferir em tentativas. Enormes cicatrizes por aqui, é coisa mais que normal. As vontades frustradas do lado de dentro, fazendo relevo fora, na pele. Nunca tive autopiedade e nem medo de dor. Hoje, ao acordar, percebei que medo mesmo, eu só tenho de mim.
~ por Marília Alves às 20:57 |
Terça-feira, Fevereiro 05, 2008
- Umbiguismo
Não dou um bom-dia se não for para alguém que eu ache que mereça um bom dia. Sou do tipo que dedica bons sentimentos à coisas bobas. E só por quem é bobo que dou a minha vida em existência, só por quem se dá ao luxo de sorrir sempre que tem vontade. E o que outros vão pensar é problemas dos outros. Pode parecer tolice, bobagem, coisa pouca, mas não é. Ou é. Já que vivo de pouco, com pouco, no pouco e com poucas pessoas. Ao meu lado, só quem eu consiga, de coração aberto, desejar um lindo dia. Comigo vem sendo assim, em racionamento de carinho. Desperdicei tantos bons sentimentos, bons momentos e boas coisas. Fui de quem era só de si mesmo. Fui de quem se acostumou à solidão, de quem não sabia o que fazer com uma companhia para um cinema, um colo para os momentos de choro, um beijo que não exige nada em troca. Egoísmo e amor não combinam. Seja lá o tipo de amor que pensas, ao ler essas minhas coisas tortas. Para todo e qualquer amor, é necessário desprender-se de si mesmo e correr riscos. Como é bom correr riscos! Quem se sujeita aos riscos de morar no outro é intenso, eterno, e me tem em suspiros!... Merecem bons dias, tardes, noites e madrugadas. Não se contentam em somente molhar a ponta dos dedos. Pulam. Pulam e mergulham fundo. Fundo e com os olhos abertos, para não perder um detalhe, por mais sutil que seja. Porque aquele que ama o outro que habita em si, não quer perder um detalhe da pessoa amada, um movimento, e fotografa com as lentes da alma cada instante, que para ele é tão valioso.
O mundo seria lindo, se fossem lindos os que nele habitam. O amor seria contagioso, se quem ama se desse conta do quanto o amor é urgente. A união faria a força, caso ela existisse. O que há com o mundo e o umbigo das pessoas?
Mude antes que seu umbigo imploda de tanto "EUcentrismo" acumulado.
~ por Marília Alves às 15:10 |