Sábado, Junho 21, 2008

- Tempo cedido à imagin-ação

E então percebe o quanto o mundo é tão maior do que imaginara e sente constrangimento. Porque já fora melhor, porque quer ser melhor ainda do que fora e porque é ainda pequena demais e um tanto quanto atrapalhada. Deixou escapar os sonhos, ignorou os gritos com o seu nome, chafurdou numa poça de água preta, densa e pastosa. Ficou cega. Nadou até a superfície e sentiu uma mão ali, uma mão que estava ali para ela. Emocionou-se. Segurou. Suja, feliz e triste, reagiu.

E ela não quer falar mais nada, não quer escrever. Ela quer ir lá e fazer. E vai. Mudar o mundo requer atitudes. Mundo, aí vamos nós: minhas tintas e eu!


Até mais ver.

~ por Marília Alves às 18:18 |


Quarta-feira, Junho 04, 2008

- Desvelo

Tanta coisa veio depois de você que, por um momento, senti vontade de te escrever contando as novidades. Não por achar que ainda lhe sou importante, mas porque ter parte em você do mesmo jeito que uma parte de mim ainda é sua me traz uma identidade perdida. Confesso que não é mais a melhor parte e que o que eu contaria não seriam os melhores momentos da minha vida e nem os de maior impacto, mas eu só queria contar. Dizer que fui à padaria e pedi do sonho que você gostava; que hoje, na ocasião preparada para o almoço coletivo, presenciei um momento lindo que só seria igualmente apreciado por você. Para dizer, simplesmente, que você foi o último amado por mim e que isso é quase tão importante quanto ser o primeiro. Dizer também que meu coração sobreviveu, mesmo eu achando que não e que o que restou foi uma linda amizade sem fronteiras, sem frescuras. Dizer também que ainda não estou forte, mas que me sentiria melhor se você trouxesse aqueles saquinhos coloridos de carinho em pó, aqueles que eu pegava furtiva das suas mãos, dissolvia na água e matava a sede e a fome, que nunca foi de água e comida, sempre foi de vivência. Dizer que eu tenho uma saudade boba de te ver chegar e passar pela portaria cumprimentando o porteiro pelo nome e chamando a menininha do andar de baixo de baixinha. Pedir para que você viesse, mas antes passasse na padaria para comprar os sonhos, enquanto eu passasse o café, e que sentasse comigo no chão da cozinha para contar os seus causos, com o jeito maroto que só você tem. Dizer que eu queria te ouvir, porque faz tanto tempo que não te ouço, tanto que já esqueci o som da sua voz. Para dizer, simplesmente, que você faz falta. Não a falta de antes, mas que essa falta me traz uma saudade quase gostosa de ser sentida, mas que sentir essa saudade também dói. Para dizer que eu amei, mas já não amo. Quer dizer, para dizer que amo diferente do que amei e que esse amor de agora é mesmo eterno, quase 0km. Para dizer que as pessoas não são descartáveis e que dessas como você são inesquecíveis. Para te agradecer por ter vindo e te culpar por ter ido sem deixar recado ou um telefone de contato.

Mas é comum as pessoas se encontrarem e se perderem, e só por isso eu não escrevo.

~ por Marília Alves às 22:12 |